Zona Segura: Raissa Machado apresenta sua vida como atleta
Publicado em: 29/12/20256 minsÚltima modificação em: 23/12/2025

Por dentro da MAG

Raissa Machado fala sobre sua trajetória como atleta no Zona Segura

Raissa Machado vem ao Zona Segura, videocast da MAG Seguros, contar sobre sua carreira como atleta e o poder transformador do esporte na sua vida.

Raissa Machado é um dos maiores nomes do atletismo paralímpico mundial. Baiana de nascença e mineira de coração, a especialista no lançamento de dardo coleciona medalhas importantes, como a prata em Tóquio e o ouro no Mundial de Paris, e é recordista em sua categoria.

A atleta também é embaixadora do Grupo MAG, levando para a parceria a mesma disciplina e visão de futuro que aplica nos treinos. Como convidada da segunda temporada do Zona Segura, videocast da MAG, Raissa abre o coração sobre as dificuldades do início, a virada de chave mental no esporte e como se tornou uma referência de empoderamento e planejamento para o futuro. Quer saber mais? Então dá play no vídeo!

O início no esporte

Diferente de muitos atletas que sonham com o pódio desde o berço, Raissa Machado não planejava ser uma recordista mundial. O plano original era cursar Direito e tornar-se delegada. Mas, como diz ela, “o esporte me escolheu”. Tudo começou com uma professora de educação física que notou a aptidão física de Raissa e perguntou o que ela gostava de fazer. A resposta foi “dançar”, inspirada pela ginasta Daiane dos Santos — uma referência não apenas atlética, mas de representatividade como mulher negra na TV.

Raissa se aventurou na ginástica e no jazz, com modalidades adaptadas à sua realidade, e descobriu que seu corpo tinha muito a dizer. Foi nesse ambiente escolar que um treinador profetizou: “você nasceu para ser atleta”. Contudo, a transição para o atletismo não foi amor à primeira vista. Na época, o conhecimento de Raissa sobre o esporte adaptado era limitado. Ao ver uma propaganda do paratleta Alan Fonteles correndo com próteses, ela chegou a dizer à mãe que queria “cortar as pernas” para poder correr como ele, sem saber que existiam outras modalidades para cadeira de rodas. A sabedoria da mãe foi imediata: “Você não precisa fazer nada, você nasceu assim e vai brilhar no que quiser fazer”.

Incentivada pelo seu treinador, ela tentou arremesso de peso e disco, sem sucesso. Mas, quando o dardo chegou às suas mãos, houve o “match”. O resultado? Aos 12 anos ela começou a competir e, aos 15, já viajava internacionalmente para representar o Brasil.

Os efeitos do esporte na vida

Nascida na Bahia e criada em Uberaba (MG), Raissa cresceu sendo a única pessoa com deficiência em seu círculo, o que prejudicou muito a sua autoestima por ser chamada de “aleijada”. Por isso, o impacto do esporte na sua vida foi muito além das conquistas profissionais.

Antes das competições, Raissa vivia reclusa; ela não saía de casa porque tinha vergonha de si mesma. Incomodada com isso, sua mãe viu no esporte a oportunidade de que a filha saísse de casa e visse o mundo. A criação foi pautada na autonomia: “Limpa a casa… cuida do seu irmão… estuda”, pedia a sua mãe. Segundo Raissa, essa postura firme de não “passar a mão na cabeça” a preparou para a vida real e para que, atualmente, more em São Paulo sozinha sem problemas.

Graças ao esporte, Raissa aprendeu a se ver não apenas como uma atleta ou uma pessoa com deficiência, mas como uma mulher completa. Trabalhou seu amor-próprio, seu ego e sua vaidade. “O esporte me trouxe e me resgatou, salvou a minha vida”, afirma Raissa, “Ele me fez calar a boca de muita gente que duvidou por conta da minha cadeira de rodas”.

O desafio das competições

A trajetória de vitórias de Raissa criou uma armadilha perigosa: acostumada a subir no pódio em todas as competições internacionais e vindo de um vice-campeonato mundial adulto aos 19 anos, ela acreditou que o talento natural seria suficiente. “Eu não treinava, eu não queria, eu brinquei muito com o destino. Eu estava vivendo de talento”, confessa.

A conta dessa atitude chegou nos Jogos Paralímpicos do Rio 2016. Raissa terminou em 6º lugar, um resultado amargo para quem só conhecia o pódio. “O Rio 2016 foi importante e veio me dar um tapão na cara para eu ver que eu estava brincando”, reconhece ela.

O 6º lugar não trouxe apenas a perda de medalhas, mas também de bolsas e patrocínios. Raissa considerou seriamente desistir, sentindo-se culpada e sem ter a quem responsabilizar além de si mesma. No entanto, seu treinador insistiu para que ela voltasse a treinar: “Ele disse ‘você tem um histórico de atleta que quase ninguém tem. Você vai jogar isso fora por conta de uma competição?’, e eu aceitei nos dedicarmos a um objetivo”.

A virada aconteceu em novembro de 2017, na competição que Raissa definiu como “tudo ou nada”. Vindo de marcas baixas (15m) e pressionada pela perda de apoio financeiro, ela estabeleceu uma meta audaciosa de atingir 21m. Movida por uma força de vontade inabalável, ela não só recuperou sua performance como lançou 21,11m, ficando a centímetros do recorde das Américas.

Aquele momento foi o ponto de virada. Raissa entendeu que talento sem disciplina não se sustenta. A partir dali, dedicou-se intensamente aos treinos e ao fortalecimento mental, culminando na quebra do recorde mundial no ano seguinte.

Os próximos planos

Olhando para o futuro, Raissa Machado tem clareza de que seu maior adversário não está na pista, mas dentro de sua própria cabeça. Para o próximo ciclo olímpico, seu foco principal é combater a autossabotagem e as dúvidas que insistem em surgir: “Será que eu sou boa? Será que eu vou conseguir?”. Raissa entende que, no alto rendimento, a diferença é psicológica. Ela define sua preparação com uma matemática própria: “É 100% a mente e 50% o corpo”. O objetivo final dessa preparação mental e física já tem data e local: a medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos de 2028 em Los Angeles, o maior sonho de sua vida.

Além das metas esportivas, Raissa abraça com seriedade seu papel de influenciadora: ela sempre quis ter uma referência, e hoje se orgulha de ocupar esse espaço para outros. Para ela, o segredo da influência positiva é a autenticidade: “Você não consegue quando você finge ser quem não é”. Ela usa sua plataforma para mostrar a vida real e quebrar tabus sobre a deficiência, provando que é possível ser independente e capaz.

A trajetória de Raissa é a prova de que a resiliência e a autenticidade podem transformar desafios em recordes, inspirando a todos nós a buscar nossa melhor versão. Quer descobrir mais conversas inspiradoras como essa? Então acesse nosso videocast no YouTube para acompanhar os novos episódios da segunda temporada do Zona Segura!

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Caroline Parreiras

Caroline Parreiras

Caroline Parreiras é analista de comunicação institucional da MAG Seguros, onde atua há mais de sete anos. Jornalista com pós-graduação em Marketing, tem mais de uma década de experiência em comunicação, com foco em conteúdo digital e inbound marketing. No blog da MAG, transforma temas técnicos, como seguros, previdência e finanças, em informações simples e úteis para o dia a dia, ajudando o leitor a tomar decisões mais seguras e conscientes.