Já ouviu falar em cooperativas? E em cooperativas de crédito? Sabe quais são as diferenças entre cooperativa e banco tradicional?
O Banco Central autoriza e fiscaliza tanto os bancos quanto as cooperativas de crédito. As duas instituições podem oferecer serviços como contas, cartões, empréstimos e financiamentos.
Mesmo que ofereçam produtos parecidos, cooperativas de crédito e bancos são organizações bastante diferentes quando observamos mais de perto sua natureza, seu modelo de gestão e sua forma de operação.
Por isso, se você é um empreendedor em busca de financiamento ou um profissional liberal precisando de crédito, vale conhecer as alternativas oferecidas pelo cooperativismo antes de tomar uma decisão.
Que tal entender mais sobre esse assunto? Acompanhe o post!
O que são cooperativas?
O conceito de cooperativa está relacionado à união de pessoas com interesses em comum, que compartilham recursos, conhecimentos, competências, estruturas, riscos ou custos para alcançar objetivos coletivos.
Dependendo do ramo de atuação, esse modelo pode ajudar empresas pequenas, produtores, profissionais e microempreendedores a explorar oportunidades que seriam mais difíceis de alcançar individualmente.
Um exemplo simples: sozinho, pode ser difícil negociar condições mais vantajosas com um fornecedor que oferece descontos apenas para grandes lotes. Ao se reunir com outras pessoas que possuem necessidades semelhantes, o pequeno empreendedor pode ampliar seu poder de negociação.
No setor financeiro, a lógica é parecida. Em uma cooperativa de crédito, os associados reúnem recursos e utilizam os serviços oferecidos pela própria instituição, seguindo as condições previstas em seu estatuto.
Uma boa frase para resumir esse princípio é “juntos somos mais fortes”. No cooperativismo, essa ideia orienta tanto a estrutura da organização quanto a relação entre seus membros.
E o que são as cooperativas de crédito?
Para entender a diferença entre cooperativa e banco, é importante compreender o que é uma cooperativa de crédito e como ela funciona.
A cooperativa de crédito funciona como uma instituição financeira organizada sob a forma de sociedade cooperativa e sem fins lucrativos. Seus associados são, ao mesmo tempo, donos e usuários da instituição.
Além disso, o estatuto estabelece os direitos e os deveres dos associados, que podem participar das decisões em assembleia. Nas cooperativas singulares, em regra, cada associado tem direito a um voto, independentemente do valor de sua participação no capital.
Quando existem sobras ao final do exercício, parte do resultado deve seguir as destinações legais e estatutárias. A Assembleia Geral pode decidir pela distribuição do valor restante entre os cooperados, de acordo com as operações realizadas por cada um.
Nesse contexto, embora as cooperativas de crédito tenham uma presença histórica importante no agronegócio, atualmente elas atendem pessoas e empresas de diferentes profissões, atividades econômicas e regiões.
Essas instituições captam recursos principalmente de seus associados e os utilizam para oferecer empréstimos, financiamentos e outros serviços financeiros. Além disso, podem obter recursos de instituições financeiras, cooperativas centrais, fundos públicos e outras fontes que a regulamentação permite.
Depois disso, as cooperativas podem usar esses recursos para conceder crédito aos associados, de acordo com as condições da instituição e a análise do perfil de cada solicitante.
As cooperativas costumam oferecer taxas e condições competitivas, mas isso não significa que sempre terão os menores juros do mercado. Os valores dependem do produto, da instituição, do prazo, das garantias e da análise de crédito.
Apenas por essa explicação conceitual já é possível perceber algumas diferenças entre cooperativa e banco, certo? Mas podemos aprofundar essa comparação.
Quais são as semelhanças entre cooperativas de crédito e bancos?

Antes de observar as diferenças, é importante entender que os dois modelos também possuem pontos em comum.
Bancos e cooperativas de crédito são instituições financeiras supervisionadas pelo Banco Central e podem oferecer produtos semelhantes, como:
- Contas;
- Cartões;
- Empréstimos;
- Financiamentos;
- Aplicações financeiras;
- Serviços de pagamento e transferência.
Nos dois casos, as taxas, tarifas, limites e condições dependem da instituição e do perfil do cliente ou cooperado. Por isso, é importante comparar o Custo Efetivo Total, os prazos, os canais de atendimento e as regras de cada produto antes da contratação.
Quais são as diferenças entre cooperativas de crédito e bancos tradicionais?
Uma das principais diferenças é que as cooperativas de crédito direcionam a captação de recursos e a concessão de crédito principalmente aos associados, respeitando as exceções previstas na legislação.
As cooperativas também podem prestar determinados serviços financeiros a não associados quando atuam em nome e por conta de outras instituições.
Os bancos, por sua vez, operam com o público em geral. Seus clientes utilizam os produtos e os serviços da instituição, mas não participam das decisões apenas por manterem uma conta ou contratarem um serviço.
Na cooperativa, o associado passa a integrar o quadro social, participa da formação do capital e pode votar nas assembleias. Veja outras diferenças:
Comparativo entre bancos e cooperativas de crédito
| Bancos | Cooperativas de crédito |
|---|---|
| São sociedades de capital. | São sociedades de pessoas. |
| A gestão é conduzida pelos administradores e controladores da instituição. | Os cooperados participam das decisões por meio das assembleias e dos órgãos de governança. |
| O poder de voto dos acionistas normalmente está relacionado à participação no capital. | Em cooperativas singulares, em regra, cada associado tem direito a um voto. |
| O lucro pode ser distribuído aos acionistas. | As sobras seguem destinações legais e estatutárias e podem ser distribuídas aos cooperados conforme decisão da Assembleia Geral. |
| Atendem o público em geral, de acordo com suas políticas comerciais. | A relação financeira é voltada principalmente aos associados, com as exceções previstas em lei. |
| Taxas e tarifas variam conforme a instituição, o produto e o perfil do cliente. | Taxas e tarifas também variam. Algumas cooperativas oferecem condições mais competitivas, mas isso não é garantido em todas as situações. |
| O cliente não precisa adquirir participação no capital da instituição. | Para se tornar associado, normalmente é necessário integralizar uma quota de capital, conforme o estatuto da cooperativa. |
| Os canais e a área de atendimento dependem da estrutura de cada banco. | A área de admissão é definida pelo estatuto e pode, conforme a estrutura da cooperativa, alcançar associados em diferentes localidades do país. |
Como funciona a cobrança no cartão de crédito?
Vale fazer um esclarecimento sobre o cartão de crédito. Desde janeiro de 2024, a Lei nº 14.690/2023 determina que o total cobrado em juros e encargos financeiros no crédito rotativo e no parcelamento da fatura não pode superar o valor original da dívida.
Na prática, uma dívida original de R$ 1 mil não pode ultrapassar R$ 2 mil apenas pela cobrança desses juros e encargos. Essa regra vale para todos os emissores de cartão de crédito, independentemente de pertencerem a bancos, cooperativas ou outras instituições.
Quais são as outras características das cooperativas de crédito?
Ao analisar a diferença entre cooperativa e banco, vale destacar algumas particularidades da história e do funcionamento do cooperativismo de crédito.
Até 2003, as cooperativas de crédito atendiam principalmente grupos ligados por profissão, atividade econômica ou região. A Resolução CMN nº 3.106/2003 passou a permitir a criação de cooperativas de livre admissão, ampliando o acesso a esse modelo.
As regras evoluíram ao longo dos anos. Atualmente, a organização e o funcionamento dessas instituições seguem principalmente a Lei Complementar nº 130/2009, atualizada pela Lei Complementar nº 196/2022, e a Resolução CMN nº 5.051/2022.
Cada cooperativa define em seu estatuto as condições para a entrada de associados, dentro das regras estabelecidas pela legislação e pelo Conselho Monetário Nacional.
Com isso, atualmente existem cooperativas de livre admissão e instituições direcionadas a pessoas ligadas a determinadas profissões, atividades econômicas ou áreas de atuação.
As cooperativas de crédito podem oferecer benefícios além das linhas de crédito. Dependendo da instituição e dos convênios disponíveis, o associado pode ter acesso a cartões, investimentos, consórcios, seguros de vida e planos de previdência privada.
As condições, coberturas e valores variam entre as instituições. Portanto, é importante consultar as regras e comparar as opções antes de contratar qualquer produto.
Cooperativa de crédito tem garantia em caso de problemas?
Sim. As cooperativas de crédito que captam depósitos participam do FGCoop, o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito, que exerce no sistema cooperativo uma função de proteção semelhante à do FGC no sistema bancário.
O FGCoop cobre determinados depósitos e investimentos, como depósitos à vista, poupança e depósitos a prazo, categoria na qual se enquadra o RDC.
A garantia é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o total de créditos mantidos pelo beneficiário em cada instituição associada, nos casos de intervenção ou liquidação extrajudicial.
Isso não significa que todos os produtos financeiros estejam cobertos. Antes de investir, é importante verificar se a modalidade escolhida faz parte da garantia oferecida pelo fundo.
Quando cada modelo pode fazer mais sentido?
Não existe um modelo melhor em todos os casos — a escolha depende do seu perfil, das suas necessidades e das condições oferecidas por cada instituição:
- Cooperativa de crédito: pode fazer sentido para quem deseja participar do quadro social, valoriza a possibilidade de votar nas assembleias e busca condições financeiras alinhadas ao perfil dos cooperados;
- Banco tradicional: pode ser mais adequado para quem prefere manter apenas uma relação de cliente com a instituição, sem integrar um quadro associativo ou adquirir quotas de capital.
Em ambos os casos, vale comparar tarifas, taxas, Custo Efetivo Total, canais de atendimento, variedade de produtos e qualidade dos serviços. Essas condições podem mudar bastante de uma instituição para outra.
Agora que você entendeu as principais diferenças e semelhanças entre cooperativa e banco, vale olhar para o seu próprio planejamento financeiro, seja qual for a instituição escolhida para cuidar do seu dinheiro e do crédito do dia a dia.
Quer saber mais sobre cooperativismo ou planejamento financeiro? Explore o blog da MAG e acesse outros conteúdos sobre o assunto!
Perguntas frequentes
Posso ter conta em cooperativa de crédito e em banco ao mesmo tempo?
Sim. Não existe restrição legal que impeça uma pessoa de manter contas nos dois modelos ao mesmo tempo.
Muitas pessoas utilizam bancos e cooperativas em paralelo, aproveitando os produtos e as condições que fazem mais sentido para cada necessidade.
Qualquer pessoa pode entrar em uma cooperativa de crédito?
Depende das condições estabelecidas no estatuto da instituição. Algumas cooperativas são de livre admissão, enquanto outras atendem pessoas ligadas a determinada profissão, atividade econômica ou área.
Antes de solicitar a associação, é importante consultar os critérios da cooperativa escolhida. Também pode ser necessário integralizar uma quota de capital para entrar no quadro social.
Cooperativa de crédito é regulada pelo Banco Central, como os bancos?
Sim. As cooperativas de crédito precisam de autorização do Banco Central para funcionar e são fiscalizadas pela instituição.
Elas também seguem normas específicas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional e a legislação aplicável ao Sistema Financeiro Nacional.








