O mercado de seguros brasileiro que existe hoje, é resultado de mais de dois séculos de regulamentação, crises, adaptações e mudanças no comportamento do consumidor.
Por isso, saber como ele chegou até aqui é entender como continua crescendo e para onde está indo. Entenda abaixo e quais as principais tendências para os próximos anos.
Os primeiros marcos do setor de seguros no Brasil
A atividade seguradora no Brasil iniciou em 1808, quando Dom João VI abriu os portos ao comércio internacional.
Nesse mesmo ano, surgiu a primeira empresa especialista do ramo do país, a Companhia de Seguros Boa-Fé, fundada na Bahia com foco em seguros marítimos.
Aqui, vale destacar que esse mercado era movido pelo comércio de importação e exportação, sem regulação própria e funcionando pelas leis portuguesas.
Após algum tempo, o primeiro passo da legalização nacional aconteceu em 1850 com o Código Comercial Brasileiro. Foi aqui que novos ramos surgiram dentro do mercado de seguros.
O próximo grande salto veio em 1939, com a criação do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), que centralizou e regulou ainda mais o nicho no país.
Por fim, em 1966, o Decreto-Lei nº 73 deu a estrutura ao sistema que conhecemos hoje, o CNSP e a Susep, que desde então fiscalizam toda a atividade seguradora privada no Brasil.
A virada de chave para o seguro no Brasil
Durante muitas décadas (e ainda atualmente), contratar um seguro era coisa para poucos. Isso porque com a economia instável e a inflação fora de controle, planejar o futuro era praticamente um luxo para a maioria dos brasileiros.
E o seguro, que depende justamente de planejamento, ficava de fora da vida da maior parte da população.
Então, foi com o Plano Real, em 1994, que tudo mudou. Com uma maior estabilidade econômica, surgiram as condições que o setor precisava para crescer.
Com uma renda mais previsível, os brasileiros tinham mais segurança para financiar imóveis e veículos, e, naturalmente, o seguro entrou na equação.
Aqui, vale destacar que outro movimento importante aconteceu em 2007, quando o governo encerrou o monopólio do IRB no resseguro e abriu o mercado para empresas estrangeiras. A medida trouxe mais concorrência, mais inovação e mais opções para o consumidor.
Um ano depois, em 2008, a CNseg foi criada como a entidade máxima de representação do mercado segurador brasileiro, consolidando uma estrutura que até então era fragmentada.
As mudanças no comportamento do consumidor
Talvez a transformação mais importante no universo do seguro foi justamente a mentalidade do consumidor brasileiro, afinal, esse recurso era usado apenas para quem tinha algo a se perder, como imóveis, frotas ou grandes contratos.
Graças ao crescimento da classe média nos anos 2000, mais brasileiros passaram a ter carro próprio, financiamento imobiliário e dependentes financeiros. E com isso, a lógica mudou, tornando essa cobertura parte do planejamento financeiro de famílias comuns.
Outro ponto que acelerou isso foi a digitalização. A chegada das plataformas online e, depois, dos aplicativos, tornou a contratação mais simples, tanto para os consumidores, como para os profissionais do ramo, que podem trabalhar diretamente de casa.
Para fechar esse “boom”, a pandemia de 2020 aumentou a percepção de risco das famílias, principalmente em relação a proteção financeira individual ou familiar.
Qual o impacto de tudo isso?
Somente no ano de 2024, o setor registrou crescimento de 12,2% e arrecadação de R$ 751,3 bilhões, segundo a CNseg.
Enquanto isso, em 2025, mesmo com o cenário macroeconômico mais pressionado, a trajetória ainda foi positiva, devolvendo R$ 243,8 bilhões à sociedade em indenizações, benefícios e resgates, conforme a Conjuntura CNseg nº 130.
Os seguros mais contratados hoje pelo brasileiro são saúde, automóvel, vida, residencial e viagem, refletindo a maior consciência de proteção do consumidor em diferentes frentes.
Entretanto, ainda há um grande mercado há ser explorado: a própria SindiSeg mostra que, 82% dos brasileiros ainda não têm Seguro de Vida em 2026, enquanto 71% da frota nacional circula sem seguro automóvel.
O que esperar para o futuro?
Quando o assunto é tendência, a CNseg projeta um crescimento de 5,7% e arrecadação de R$ 808 bilhões até o final de 2026, com meta de alcançar 10% do PIB até 2030.
Além disso, os próximos movimentos dentro do ramo já estão acontecendo:
- A inteligência artificial aplicada na análise de risco,
- O crescimento acelerado dos seguros cibernéticos,
- O avanço do Open Insurance.
Se você quer estar por dentro de como a tecnologia está redesenhando o setor e mais sobre novidades do ramo de seguros de vida, aqui no blog da MAG reunimos conteúdos completos sobre inovação, planejamento financeiro e proteção familiar – continue sempre lendo!
FAQ – Perguntas frequentes
Qual a projeção do mercado de seguros para 2026?
Segundo a CNseg, o setor de seguros projeta crescimento de 5,7% em 2026, com arrecadação estimada de R$ 808 bilhões. A meta de longo prazo é que o ramo alcance 10% do PIB nacional até 2030.
Quais são as tendências do mercado de seguros para 2026?
As principais tendências são a expansão da inteligência artificial na análise de risco e precificação, o crescimento dos seguros cibernéticos, o avanço do Open Insurance e a adaptação do setor aos riscos climáticos crescentes.
Quais tipos de seguro existem?
Alguns dos seguros mais contratados pelos brasileiros são: seguro de vida, seguro automóvel, seguro residencial, seguro de acidentes pessoais e seguro prestamista.






